Culpa

Estar do lado que foi injustiçado por um ato impensado é uma coisa. Sentir que você é o responsável por uma injustiça, é outra completamente diferente.
A culpa corrói. Ela chama seu coração ao erro sempre que surge a oportunidade. Ela é sutil e nos pega desprevinido. É um aperto que nos compele a nos sentir mal sempre que passamos por algo parecido nos olhos de outrém. Nossa consciência as vezes é exatamente como a representação comum do sujeitinho te cutucando pela bobagem que você fez. Ela é teimosa, e, quase sempre, cheia de razão.
Pedir desculpas é um ato nobre e pode ser muito importante para a pessoa que mais sofreu com o problema. Mas quando pedir desculpas? Quando é que já se passou tempo o bastante para que possa-se voltar a falar de algo que você fez errado, sem parecer que está querendo reforçar seu erro? Quando saber que já se passou tempo demais e provavelmente nada que você diga fará diferença para expressar o quão culpado você está se sentindo?
Essas duas perguntas passam por pressupostos que nem sempre são verdadeiros. Nem todo mundo esquece uma injustiça rápido, e menos ainda são aqueles que pretendem ficar se lembrando muito disso. De forma similar, é tolo achar que todos são compreensíveis o bastante para entender que existiu realmente a muito tempo uma intenção de se pedir desculpas, mas que, em virtude do distância do evento, passa-se a entender que aquilo foi simplesmente esquecido. Injustiçados crescem à favor de acreditar que não podem se enganar em se ferir da mesma forma como antes ou com a mesma pessoa. A confiança não será mais a mesma.
E, no entanto, é inegável que um pedido de desculpas pode mudar tudo para aquele de coração aberto para recebê-lo.
Confiança é algo que não se restaura. Mas não é algo que não se possa criar de novo.
Então por que não fazemos isso logo? Medo. Quando notamos que fomos terrivelmente injustos com alguém, começamos a processar tudo o evento e temos medo do quanto podemos ter machucado. Machucar alguém que gostamos muito, então, dói quase como se tivéssemos feito a injustiça com nós mesmos.
Hoje eu sou um covarde. Mas não é o que quero pra mim amanhã.
Porque as vezes, precisamos de alguém que aceite nossas desculpas para que nos aliviemos. Noutras, precisamos antes de dar esse passo, desculpar a nós mesmos.

Um comentário:

Roberta Araujo disse...

Não seja assim, peça desculpas sempre...
Eu detesto me sentir mal pelo que fiz a alguém... Não me perdôo enquanto não me perdoarem tb... Enfim, desde pequena procuro me redimir das besteiras que faço...

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